{"id":1636,"date":"2023-09-28T16:00:58","date_gmt":"2023-09-28T19:00:58","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1636"},"modified":"2023-10-02T12:56:24","modified_gmt":"2023-10-02T15:56:24","slug":"trt4-assistente-de-loja-que-sofria-assedio-em-razao-de-licencas-medicas-deve-ser-indenizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1636","title":{"rendered":"TRT4 &#8211; Assistente de loja que sofria ass\u00e9dio em raz\u00e3o de licen\u00e7as m\u00e9dicas deve ser indenizada"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1637\" src=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222-300x300.jpg 300w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222-150x150.jpg 150w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222-768x768.jpg 768w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-222.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 11\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o (RS) condenou uma loja de departamentos a indenizar uma assistente que sofria persegui\u00e7\u00f5es das supervisoras em raz\u00e3o do n\u00famero de afastamentos por licen\u00e7a m\u00e9dica. Os desembargadores foram un\u00e2nimes ao considerar comprovada a ofensa a direito de personalidade da trabalhadora por ass\u00e9dio moral. A senten\u00e7a da ju\u00edza Simone Silva Ruas, da 1\u00aa Vara do Trabalho de Rio Grande, com a repara\u00e7\u00e3o fixada em R$ 4 mil reais, foi mantida no aspecto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trabalhadora prestou servi\u00e7os \u00e0 rede de lojas entre setembro de 2018 e janeiro de 2020. No per\u00edodo, desenvolveu gastrite nervosa, ansiedade e s\u00edndrome do p\u00e2nico. Em raz\u00e3o das enfermidades, a trabalhadora apresentou diversos atestados m\u00e9dicos entre abril e dezembro de 2019, tendo recebido, inclusive, benef\u00edcio previdenci\u00e1rio comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A frequ\u00eancia dos atestados fez com que as supervisoras orientassem as demais trabalhadoras a n\u00e3o conversar e nem receber ajuda da assistente, que poderia representar &#8220;m\u00e1 influ\u00eancia&#8221;. A orienta\u00e7\u00e3o foi confirmada por testemunhas. As chefias diziam que ela &#8220;n\u00e3o gostava de trabalhar&#8221; e que &#8220;as doen\u00e7as eram inventadas&#8221;. As depoentes afirmaram que as chefes gritavam e as repreendiam em frente aos clientes, o que acontecia igualmente com a autora. Uma das trabalhadoras disse que tamb\u00e9m desenvolveu s\u00edndrome de p\u00e2nico e fez tratamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico no ano que entrou na loja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro grau, a ju\u00edza Simone reconheceu que o conjunto da prova demonstra a exist\u00eancia de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, regular e sistem\u00e1tica, pela marginaliza\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho. Para a magistrada, havia uma orienta\u00e7\u00e3o geral velada de isolar a autora das demais empregadas, revelando preconceito no agir das gestoras por causa dos in\u00fameros afastamentos m\u00e9dicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entendimento da ju\u00edza, trata-se de les\u00e3o de ordem moral pass\u00edvel de repara\u00e7\u00e3o por meio de indeniza\u00e7\u00e3o, nos termos do artigo 5\u00ba, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. &#8220;\u00c9 inequ\u00edvoco que o tratamento persecut\u00f3rio repetitivo e reiterado por parte de cada uma das gestoras \u00e9 capaz de ensejar repercuss\u00f5es negativas na esfera \u00edntima da reclamante, independentemente de ter ou n\u00e3o culminado com o adoecimento da empregada&#8221;, afirmou a ju\u00edza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A empresa recorreu ao Tribunal para reformar a decis\u00e3o, sustentando que n\u00e3o ficou comprovado que a reclamante sofreu qualquer tipo de persegui\u00e7\u00e3o ou ass\u00e9dio. O relator do ac\u00f3rd\u00e3o, desembargador Ricardo Hofmeister de Almeida Martins Costa, no entanto, ressaltou que o contexto dos autos \u00e9 inequ\u00edvoco no sentido de que a autora sofreu ass\u00e9dio moral, revelando a exist\u00eancia de viol\u00eancia psicol\u00f3gica sistem\u00e1tica capaz de ensejar abalo moral indeniz\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O magistrado destacou que o caso se inclui na modalidade de dano in re ipsa, que dispensa comprova\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia e extens\u00e3o, sendo presum\u00edvel desde que se trate de fato com potencial suficiente a causar les\u00e3o a valores \u00edntimos da personalidade. &#8220;O dano extrapatrimonial (moral) repar\u00e1vel \u00e9 aquele que decorre da viola\u00e7\u00e3o a direitos protegidos e que guarnecem a esfera da personalidade do trabalhador, como a intimidade, a vida privada, a honra ou a imagem, mediante a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o praticada pelo empregador&#8221;, ressaltou o desembargador Martins Costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m participaram do julgamento os desembargadores Manuel Cid Jardon e Maria Silvana Rotta Tedesco. N\u00e3o houve recurso da decis\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 11\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o (RS) condenou uma loja de departamentos a indenizar uma assistente que sofria persegui\u00e7\u00f5es das supervisoras em raz\u00e3o do n\u00famero de afastamentos por licen\u00e7a m\u00e9dica. Os desembargadores foram un\u00e2nimes ao considerar comprovada a ofensa a direito de personalidade da trabalhadora por ass\u00e9dio moral. A senten\u00e7a da ju\u00edza Simone Silva Ruas, da 1\u00aa Vara do Trabalho de Rio Grande, com a repara\u00e7\u00e3o fixada em R$ 4 mil reais, foi mantida no aspecto. A trabalhadora prestou servi\u00e7os \u00e0 rede de lojas entre setembro de 2018 e janeiro de 2020. No per\u00edodo, desenvolveu gastrite nervosa, ansiedade e s\u00edndrome do p\u00e2nico. Em raz\u00e3o das enfermidades, a trabalhadora apresentou diversos atestados m\u00e9dicos entre abril e dezembro de 2019, tendo recebido, inclusive, benef\u00edcio previdenci\u00e1rio comum. A frequ\u00eancia dos atestados fez com que as supervisoras orientassem as demais trabalhadoras a n\u00e3o conversar e nem receber ajuda da assistente, que poderia representar &#8220;m\u00e1 influ\u00eancia&#8221;. A orienta\u00e7\u00e3o foi confirmada por testemunhas. As chefias diziam que ela &#8220;n\u00e3o gostava de trabalhar&#8221; e que &#8220;as doen\u00e7as eram inventadas&#8221;. As depoentes afirmaram que as chefes gritavam e as repreendiam em frente aos clientes, o que acontecia igualmente com a autora. Uma das trabalhadoras disse que tamb\u00e9m desenvolveu s\u00edndrome de p\u00e2nico e fez tratamento psicol\u00f3gico e psiqui\u00e1trico no ano que entrou na loja. Em primeiro grau, a ju\u00edza Simone reconheceu que o conjunto da prova demonstra a exist\u00eancia de viol\u00eancia psicol\u00f3gica, regular e sistem\u00e1tica, pela marginaliza\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho. Para a magistrada, havia uma orienta\u00e7\u00e3o geral velada de isolar a autora das demais empregadas, revelando preconceito no agir das gestoras por causa dos in\u00fameros afastamentos m\u00e9dicos. No entendimento da ju\u00edza, trata-se de les\u00e3o de ordem moral pass\u00edvel de repara\u00e7\u00e3o por meio de indeniza\u00e7\u00e3o, nos termos do artigo 5\u00ba, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal. &#8220;\u00c9 inequ\u00edvoco que o tratamento persecut\u00f3rio repetitivo e reiterado por parte de cada uma das gestoras \u00e9 capaz de ensejar repercuss\u00f5es negativas na esfera \u00edntima da reclamante, independentemente de ter ou n\u00e3o culminado com o adoecimento da empregada&#8221;, afirmou a ju\u00edza. A empresa recorreu ao Tribunal para reformar a decis\u00e3o, sustentando que n\u00e3o ficou comprovado que a reclamante sofreu qualquer tipo de persegui\u00e7\u00e3o ou ass\u00e9dio. O relator do ac\u00f3rd\u00e3o, desembargador Ricardo Hofmeister de Almeida Martins Costa, no entanto, ressaltou que o contexto dos autos \u00e9 inequ\u00edvoco no sentido de que a autora sofreu ass\u00e9dio moral, revelando a exist\u00eancia de viol\u00eancia psicol\u00f3gica sistem\u00e1tica capaz de ensejar abalo moral indeniz\u00e1vel. O magistrado destacou que o caso se inclui na modalidade de dano in re ipsa, que dispensa comprova\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia e extens\u00e3o, sendo presum\u00edvel desde que se trate de fato com potencial suficiente a causar les\u00e3o a valores \u00edntimos da personalidade. &#8220;O dano extrapatrimonial (moral) repar\u00e1vel \u00e9 aquele que decorre da viola\u00e7\u00e3o a direitos protegidos e que guarnecem a esfera da personalidade do trabalhador, como a intimidade, a vida privada, a honra ou a imagem, mediante a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o praticada pelo empregador&#8221;, ressaltou o desembargador Martins Costa. Tamb\u00e9m participaram do julgamento os desembargadores Manuel Cid Jardon e Maria Silvana Rotta Tedesco. N\u00e3o houve recurso da decis\u00e3o. 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