{"id":1756,"date":"2023-10-09T14:00:15","date_gmt":"2023-10-09T17:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1756"},"modified":"2023-10-31T13:24:25","modified_gmt":"2023-10-31T16:24:25","slug":"tjsc-tribunal-de-justica-mantem-condenacao-de-mulher-por-postagem-em-rede-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1756","title":{"rendered":"TJSC &#8211; Tribunal de Justi\u00e7a mant\u00e9m condena\u00e7\u00e3o de mulher por postagem em rede social"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1757\" src=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274-300x300.jpg 300w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274-150x150.jpg 150w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274-768x768.jpg 768w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/PUBLICACAO-274.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 2\u00aa C\u00e2mara Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina (TJSC) decidiu manter pena de restri\u00e7\u00e3o de liberdade e pagamento de multa a uma mulher, por inj\u00faria decorrente de uma postagem em rede social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O caso foi registrado em fevereiro de 2020, ap\u00f3s uma publica\u00e7\u00e3o em um grupo de rede social. Pelas informa\u00e7\u00f5es divulgadas, uma vaca estava muito debilitada devido a maus-tratos. Na postagem, a propriet\u00e1ria do animal foi acusada de participar de uma farra do boi. Imagens foram divulgadas identificando a v\u00edtima e a pousada de que \u00e9 propriet\u00e1ria. Nos textos e imagens divulgados na internet, a v\u00edtima teria sido ofendida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade e \u00e0 origem estrangeira com os seguintes termos: &#8220;velha pecuarista, que fala alguma l\u00edngua castelhana&#8221;. As postagens se espalharam de forma viral e foram replicadas em diversos grupos. A divulga\u00e7\u00e3o trouxe diversos problemas como amea\u00e7as e mensagens de \u00f3dio. Da mesma forma, o fato prejudicou o trabalho da v\u00edtima e trouxe problemas de sa\u00fade para ela e a filha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em depoimento, a v\u00edtima declarou que seu marido tinha gado e que uma vaca ficou doente e precisou ser sacrificada ap\u00f3s comer uma sacola pl\u00e1stica. Ela refor\u00e7ou ainda que faz parte de grupos de prote\u00e7\u00e3o animal e que os animais em sua propriedade s\u00e3o criados como bichos de estima\u00e7\u00e3o, sem finalidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a r\u00e9 declarou que a acusa\u00e7\u00e3o era verdadeira em partes. Ela teria sido provocada a compartilhar a publica\u00e7\u00e3o de uma segunda pessoa, que tamb\u00e9m foi intimada a depor. Como n\u00e3o conseguiu compartilhar, foi at\u00e9 a p\u00e1gina original de um grupo de ativistas contra a farra do boi, copiou a foto e o texto e postou em seu perfil. Ela admitiu que em parte tem culpa por ter postado o material.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na acusa\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou a condena\u00e7\u00e3o da r\u00e9 por inj\u00faria e o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Ap\u00f3s an\u00e1lise, o juiz respons\u00e1vel pelo caso destacou que &#8220;a inj\u00faria cometida pela acusada ofendeu a dignidade da v\u00edtima n\u00e3o somente em raz\u00e3o dos fatos que lhe foram imputados, mas, sim, em decorr\u00eancia de sua etnia&#8221;. Ele apontou ainda que houve dolo espec\u00edfico por parte da acusada em atingir a autoestima e a dignidade da v\u00edtima, abaladas em raz\u00e3o das consequ\u00eancias da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A acusada recorreu da senten\u00e7a, mas a 2\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJSC manteve a pena privativa de liberdade de um ano de reclus\u00e3o, o pagamento de 10 dias-multa e indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais de R$ 1.000, com juros de 1% ao m\u00eas desde a data do crime e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria (INPC) desde a data da senten\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 2\u00aa C\u00e2mara Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a de Santa Catarina (TJSC) decidiu manter pena de restri\u00e7\u00e3o de liberdade e pagamento de multa a uma mulher, por inj\u00faria decorrente de uma postagem em rede social. O caso foi registrado em fevereiro de 2020, ap\u00f3s uma publica\u00e7\u00e3o em um grupo de rede social. Pelas informa\u00e7\u00f5es divulgadas, uma vaca estava muito debilitada devido a maus-tratos. Na postagem, a propriet\u00e1ria do animal foi acusada de participar de uma farra do boi. Imagens foram divulgadas identificando a v\u00edtima e a pousada de que \u00e9 propriet\u00e1ria. Nos textos e imagens divulgados na internet, a v\u00edtima teria sido ofendida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 idade e \u00e0 origem estrangeira com os seguintes termos: &#8220;velha pecuarista, que fala alguma l\u00edngua castelhana&#8221;. As postagens se espalharam de forma viral e foram replicadas em diversos grupos. A divulga\u00e7\u00e3o trouxe diversos problemas como amea\u00e7as e mensagens de \u00f3dio. Da mesma forma, o fato prejudicou o trabalho da v\u00edtima e trouxe problemas de sa\u00fade para ela e a filha. Em depoimento, a v\u00edtima declarou que seu marido tinha gado e que uma vaca ficou doente e precisou ser sacrificada ap\u00f3s comer uma sacola pl\u00e1stica. Ela refor\u00e7ou ainda que faz parte de grupos de prote\u00e7\u00e3o animal e que os animais em sua propriedade s\u00e3o criados como bichos de estima\u00e7\u00e3o, sem finalidade econ\u00f4mica. J\u00e1 a r\u00e9 declarou que a acusa\u00e7\u00e3o era verdadeira em partes. Ela teria sido provocada a compartilhar a publica\u00e7\u00e3o de uma segunda pessoa, que tamb\u00e9m foi intimada a depor. Como n\u00e3o conseguiu compartilhar, foi at\u00e9 a p\u00e1gina original de um grupo de ativistas contra a farra do boi, copiou a foto e o texto e postou em seu perfil. Ela admitiu que em parte tem culpa por ter postado o material. Na acusa\u00e7\u00e3o, o Minist\u00e9rio P\u00fablico solicitou a condena\u00e7\u00e3o da r\u00e9 por inj\u00faria e o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Ap\u00f3s an\u00e1lise, o juiz respons\u00e1vel pelo caso destacou que &#8220;a inj\u00faria cometida pela acusada ofendeu a dignidade da v\u00edtima n\u00e3o somente em raz\u00e3o dos fatos que lhe foram imputados, mas, sim, em decorr\u00eancia de sua etnia&#8221;. Ele apontou ainda que houve dolo espec\u00edfico por parte da acusada em atingir a autoestima e a dignidade da v\u00edtima, abaladas em raz\u00e3o das consequ\u00eancias da publica\u00e7\u00e3o. A acusada recorreu da senten\u00e7a, mas a 2\u00aa C\u00e2mara Criminal do TJSC manteve a pena privativa de liberdade de um ano de reclus\u00e3o, o pagamento de 10 dias-multa e indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais de R$ 1.000, com juros de 1% ao m\u00eas desde a data do crime e corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria (INPC) desde a data da senten\u00e7a. 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