{"id":1994,"date":"2023-11-10T08:00:46","date_gmt":"2023-11-10T11:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1994"},"modified":"2023-11-16T14:36:53","modified_gmt":"2023-11-16T17:36:53","slug":"stf-anulada-condenacao-de-homem-que-teve-casa-invadida-pela-policia-com-base-em-denuncia-anonima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=1994","title":{"rendered":"STF &#8211; Anulada condena\u00e7\u00e3o de homem que teve casa invadida pela pol\u00edcia com base em den\u00fancia an\u00f4nima"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1995\" src=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357-300x300.jpg 300w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357-150x150.jpg 150w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357-768x768.jpg 768w, https:\/\/marcelcolares.adv.br\/wp-content\/uploads\/2023\/11\/PUBLICACAO-357.jpg 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico de drogas de um homem que teve a casa invadida pela pol\u00edcia, com base em den\u00fancia an\u00f4nima, sem mandado judicial e sem a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias pr\u00e9vias. A decis\u00e3o foi tomada no Habeas Corpus (HC) 230560.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem foi condenado pelo ju\u00edzo da Vara de Entorpecentes da Comarca de Campina Grande (PB) \u00e0 pena de sete anos de reclus\u00e3o, em regime inicial fechado. A senten\u00e7a foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a da Para\u00edba (TJ-PB), e habeas corpus foi rejeitado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No STF, a defesa alegou que o ingresso for\u00e7ado dos policiais se dera de forma il\u00edcita, embasado exclusivamente em den\u00fancia an\u00f4nima.<\/p>\n<p><b>Inviolabilidade domiciliar<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em sua decis\u00e3o, o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a verificou que o contexto da a\u00e7\u00e3o policial desrespeitou a garantia da inviolabilidade domiciliar (artigo 5\u00b0, inciso XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal). Ele explicou que, de acordo com o artigo 240 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), o mandado judicial \u00e9 imprescind\u00edvel para a licitude do ingresso domiciliar, exceto se houver &#8220;fundadas raz\u00f5es&#8221; que o autorizem. Essa suspeita, por sua vez, deve estar baseada em fatos concretos, e n\u00e3o apenas em suposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Den\u00fancia an\u00f4nima<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ministro lembrou que o STF admite a den\u00fancia an\u00f4nima como base v\u00e1lida \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e \u00e0 persecu\u00e7\u00e3o criminal, desde que precedida por dilig\u00eancias para averiguar os fatos noticiados. No caso, a seu ver, a den\u00fancia sobre movimenta\u00e7\u00e3o suspeita e a afirma\u00e7\u00e3o de que o homem seria conhecido no meio policial s\u00e3o insuficientes para justificar o ingresso.<\/p>\n<p><b>Jurisprud\u00eancia<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto observado pelo relator foi a decis\u00e3o do STF no RE 603616 (Tema 280 da repercuss\u00e3o geral) de que a licitude da entrada policial for\u00e7ada em domic\u00edlio exige a demonstra\u00e7\u00e3o de fundadas raz\u00f5es, anteriores \u00e0 dilig\u00eancia, que indiquem, de forma concreta, a ocorr\u00eancia do crime.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ele, a apreens\u00e3o de drogas na moradia n\u00e3o afasta a nulidade porque, conforme o entendimento do STF, a entrada for\u00e7ada, sem justificativa pr\u00e9via, \u00e9 arbitr\u00e1ria, e o flagrante, posterior ao ingresso, n\u00e3o justifica a medida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a afirmou que a ilegalidade da dilig\u00eancia torna il\u00edcitos os elementos de prova dela decorrentes, e esse v\u00edcio, por envolver a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade do crime, resulta na nulidade da condena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Processo relacionado: HC 230560<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Supremo Tribunal Federal<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a condena\u00e7\u00e3o por tr\u00e1fico de drogas de um homem que teve a casa invadida pela pol\u00edcia, com base em den\u00fancia an\u00f4nima, sem mandado judicial e sem a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias pr\u00e9vias. A decis\u00e3o foi tomada no Habeas Corpus (HC) 230560. O homem foi condenado pelo ju\u00edzo da Vara de Entorpecentes da Comarca de Campina Grande (PB) \u00e0 pena de sete anos de reclus\u00e3o, em regime inicial fechado. A senten\u00e7a foi mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a da Para\u00edba (TJ-PB), e habeas corpus foi rejeitado no Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ). No STF, a defesa alegou que o ingresso for\u00e7ado dos policiais se dera de forma il\u00edcita, embasado exclusivamente em den\u00fancia an\u00f4nima. Inviolabilidade domiciliar Em sua decis\u00e3o, o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a verificou que o contexto da a\u00e7\u00e3o policial desrespeitou a garantia da inviolabilidade domiciliar (artigo 5\u00b0, inciso XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal). Ele explicou que, de acordo com o artigo 240 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP), o mandado judicial \u00e9 imprescind\u00edvel para a licitude do ingresso domiciliar, exceto se houver &#8220;fundadas raz\u00f5es&#8221; que o autorizem. Essa suspeita, por sua vez, deve estar baseada em fatos concretos, e n\u00e3o apenas em suposi\u00e7\u00f5es. Den\u00fancia an\u00f4nima O ministro lembrou que o STF admite a den\u00fancia an\u00f4nima como base v\u00e1lida \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e \u00e0 persecu\u00e7\u00e3o criminal, desde que precedida por dilig\u00eancias para averiguar os fatos noticiados. No caso, a seu ver, a den\u00fancia sobre movimenta\u00e7\u00e3o suspeita e a afirma\u00e7\u00e3o de que o homem seria conhecido no meio policial s\u00e3o insuficientes para justificar o ingresso. Jurisprud\u00eancia Outro ponto observado pelo relator foi a decis\u00e3o do STF no RE 603616 (Tema 280 da repercuss\u00e3o geral) de que a licitude da entrada policial for\u00e7ada em domic\u00edlio exige a demonstra\u00e7\u00e3o de fundadas raz\u00f5es, anteriores \u00e0 dilig\u00eancia, que indiquem, de forma concreta, a ocorr\u00eancia do crime. Segundo ele, a apreens\u00e3o de drogas na moradia n\u00e3o afasta a nulidade porque, conforme o entendimento do STF, a entrada for\u00e7ada, sem justificativa pr\u00e9via, \u00e9 arbitr\u00e1ria, e o flagrante, posterior ao ingresso, n\u00e3o justifica a medida. Por fim, o ministro Andr\u00e9 Mendon\u00e7a afirmou que a ilegalidade da dilig\u00eancia torna il\u00edcitos os elementos de prova dela decorrentes, e esse v\u00edcio, por envolver a comprova\u00e7\u00e3o da materialidade do crime, resulta na nulidade da condena\u00e7\u00e3o. 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