{"id":3732,"date":"2023-11-17T16:30:27","date_gmt":"2023-11-17T19:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3732"},"modified":"2024-10-04T16:31:54","modified_gmt":"2024-10-04T19:31:54","slug":"stj-pessoa-juridica-pode-recorrer-contra-penhora-de-bens-de-socio-para-defender-interesse-proprio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3732","title":{"rendered":"STJ &#8211; Pessoa jur\u00eddica pode recorrer contra penhora de bens de s\u00f3cio para defender interesse pr\u00f3prio"},"content":{"rendered":"<p>A pessoa jur\u00eddica tem legitimidade para recorrer da decis\u00e3o que decretou a penhora de bens de um s\u00f3cio n\u00e3o integrante do polo passivo da a\u00e7\u00e3o, desde que o fa\u00e7a para defender interesse pr\u00f3prio e sem se envolver na esfera dos direitos do s\u00f3cio.<\/p>\n<p>Com esse entendimento \u2013 j\u00e1 adotado em precedentes dos colegiados de direito privado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u2013, a Terceira Turma determinou ao Tribunal de Justi\u00e7a de Roraima (TJRO) que julgue o recurso apresentado por uma sociedade empres\u00e1ria contra o ato judicial que permitiu a constri\u00e7\u00e3o de ativos financeiros de outra empresa, sua s\u00f3cia.<\/p>\n<p>O caso teve origem em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria na qual uma sociedade de prop\u00f3sito espec\u00edfico (SPE) do ramo imobili\u00e1rio foi condenada. Na fase de execu\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo determinou a penhora de ativos de uma pessoa jur\u00eddica que integra a sociedade executada. Esta entrou com agravo de instrumento, mas o TJRO entendeu que ela n\u00e3o teria legitimidade para contestar a decis\u00e3o que bloqueou o patrim\u00f4nio de outra pessoa jur\u00eddica.<\/p>\n<p>Em recurso ao STJ, a SPE afirmou possuir autonomia econ\u00f4mica, jur\u00eddica e financeira em rela\u00e7\u00e3o aos s\u00f3cios e sustentou que, ao questionar a penhora decretada sem a pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o do incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, estava agindo na defesa de interesse pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desconsidera\u00e7\u00e3o resguarda interesses de credores e da pr\u00f3pria sociedade<\/p>\n<p>A relatora, ministra Nancy Andrighi, comentou que o desvirtuamento da atividade empresarial \u00e9 punido com a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, de acordo com o artigo 50 do C\u00f3digo Civil, o que resguarda os interesses dos credores e da pr\u00f3pria sociedade empres\u00e1ria indevidamente manipulada.<\/p>\n<p>Para que a parte possa recorrer de uma decis\u00e3o \u2013 acrescentou a ministra \u2013, \u00e9 preciso que esteja presente o interesse recursal, relacionado \u00e0 ideia de um preju\u00edzo que possa ser revertido no julgamento do recurso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, de acordo com a relatora, o interesse na desconsidera\u00e7\u00e3o ou na manuten\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica pode partir da pr\u00f3pria sociedade empres\u00e1ria, &#8220;desde que seja capaz de demonstrar a pertin\u00eancia de seu intuito, o qual deve sempre estar relacionado \u00e0 defesa de direito pr\u00f3prio. Ou seja, a pessoa jur\u00eddica cuja personalidade se busca desconsiderar pode, ao menos em tese, valer-se dos meios pr\u00f3prios de impugna\u00e7\u00e3o existentes para defender sua autonomia&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Nancy Andrighi, tanto a Terceira quanto a Quarta Turma do STJ t\u00eam precedentes nessa mesma linha de entendimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Requisitos da desconsidera\u00e7\u00e3o devem ser examinados em incidente pr\u00f3prio<\/p>\n<p>A relatora apontou que s\u00e3o frequentes as decis\u00f5es judiciais que, sem amparo legal \u2013 j\u00e1 que n\u00e3o houve a instaura\u00e7\u00e3o do incidente previsto nos artigos 133 a 137 do C\u00f3digo de Processo Civil para investigar os requisitos da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica \u2013, determinam o bloqueio de bens de pessoas jur\u00eddicas para garantir a execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de seus s\u00f3cios.<\/p>\n<p>Ela afirmou que tais decis\u00f5es \u2013 como a do caso em an\u00e1lise \u2013 se equiparam \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica nos seus efeitos pr\u00e1ticos, o que autoriza que sejam adotados em rela\u00e7\u00e3o a elas os mesmos fundamentos que levam ao reconhecimento da legitimidade recursal da sociedade empres\u00e1ria alvo da medida.<\/p>\n<p>Ao dar provimento parcial ao recurso especial da SPE, afastando sua ilegitimidade, a Terceira Turma ordenou o retorno do processo \u00e0 segunda inst\u00e2ncia para que analise o m\u00e9rito do agravo de instrumento que aponta inobserv\u00e2ncia do procedimento adequado para a execu\u00e7\u00e3o atingir bens de terceiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): REsp 2057706<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>#direitocivel #legitimidaderecursal #pessoajur\u00eddica #penhora #bensdos\u00f3ci0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pessoa jur\u00eddica tem legitimidade para recorrer da decis\u00e3o que decretou a penhora de bens de um s\u00f3cio n\u00e3o integrante do polo passivo da a\u00e7\u00e3o, desde que o fa\u00e7a para defender interesse pr\u00f3prio e sem se envolver na esfera dos direitos do s\u00f3cio. Com esse entendimento \u2013 j\u00e1 adotado em precedentes dos colegiados de direito privado do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) \u2013, a Terceira Turma determinou ao Tribunal de Justi\u00e7a de Roraima (TJRO) que julgue o recurso apresentado por uma sociedade empres\u00e1ria contra o ato judicial que permitiu a constri\u00e7\u00e3o de ativos financeiros de outra empresa, sua s\u00f3cia. O caso teve origem em a\u00e7\u00e3o indenizat\u00f3ria na qual uma sociedade de prop\u00f3sito espec\u00edfico (SPE) do ramo imobili\u00e1rio foi condenada. Na fase de execu\u00e7\u00e3o, o ju\u00edzo determinou a penhora de ativos de uma pessoa jur\u00eddica que integra a sociedade executada. Esta entrou com agravo de instrumento, mas o TJRO entendeu que ela n\u00e3o teria legitimidade para contestar a decis\u00e3o que bloqueou o patrim\u00f4nio de outra pessoa jur\u00eddica. Em recurso ao STJ, a SPE afirmou possuir autonomia econ\u00f4mica, jur\u00eddica e financeira em rela\u00e7\u00e3o aos s\u00f3cios e sustentou que, ao questionar a penhora decretada sem a pr\u00e9via instaura\u00e7\u00e3o do incidente de desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, estava agindo na defesa de interesse pr\u00f3prio. &nbsp; Desconsidera\u00e7\u00e3o resguarda interesses de credores e da pr\u00f3pria sociedade A relatora, ministra Nancy Andrighi, comentou que o desvirtuamento da atividade empresarial \u00e9 punido com a desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica, de acordo com o artigo 50 do C\u00f3digo Civil, o que resguarda os interesses dos credores e da pr\u00f3pria sociedade empres\u00e1ria indevidamente manipulada. Para que a parte possa recorrer de uma decis\u00e3o \u2013 acrescentou a ministra \u2013, \u00e9 preciso que esteja presente o interesse recursal, relacionado \u00e0 ideia de um preju\u00edzo que possa ser revertido no julgamento do recurso. &nbsp; Assim, de acordo com a relatora, o interesse na desconsidera\u00e7\u00e3o ou na manuten\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica pode partir da pr\u00f3pria sociedade empres\u00e1ria, &#8220;desde que seja capaz de demonstrar a pertin\u00eancia de seu intuito, o qual deve sempre estar relacionado \u00e0 defesa de direito pr\u00f3prio. Ou seja, a pessoa jur\u00eddica cuja personalidade se busca desconsiderar pode, ao menos em tese, valer-se dos meios pr\u00f3prios de impugna\u00e7\u00e3o existentes para defender sua autonomia&#8221;. Segundo Nancy Andrighi, tanto a Terceira quanto a Quarta Turma do STJ t\u00eam precedentes nessa mesma linha de entendimento. &nbsp; Requisitos da desconsidera\u00e7\u00e3o devem ser examinados em incidente pr\u00f3prio A relatora apontou que s\u00e3o frequentes as decis\u00f5es judiciais que, sem amparo legal \u2013 j\u00e1 que n\u00e3o houve a instaura\u00e7\u00e3o do incidente previsto nos artigos 133 a 137 do C\u00f3digo de Processo Civil para investigar os requisitos da desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica \u2013, determinam o bloqueio de bens de pessoas jur\u00eddicas para garantir a execu\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas de seus s\u00f3cios. Ela afirmou que tais decis\u00f5es \u2013 como a do caso em an\u00e1lise \u2013 se equiparam \u00e0 desconsidera\u00e7\u00e3o da personalidade jur\u00eddica nos seus efeitos pr\u00e1ticos, o que autoriza que sejam adotados em rela\u00e7\u00e3o a elas os mesmos fundamentos que levam ao reconhecimento da legitimidade recursal da sociedade empres\u00e1ria alvo da medida. Ao dar provimento parcial ao recurso especial da SPE, afastando sua ilegitimidade, a Terceira Turma ordenou o retorno do processo \u00e0 segunda inst\u00e2ncia para que analise o m\u00e9rito do agravo de instrumento que aponta inobserv\u00e2ncia do procedimento adequado para a execu\u00e7\u00e3o atingir bens de terceiros. &nbsp; Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): REsp 2057706 &nbsp; Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a &nbsp; #direitocivel #legitimidaderecursal #pessoajur\u00eddica #penhora #bensdos\u00f3ci0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3732","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3732","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3732"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3732\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3733,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3732\/revisions\/3733"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3732"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3732"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3732"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}