{"id":3789,"date":"2023-10-27T17:25:29","date_gmt":"2023-10-27T20:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3789"},"modified":"2024-10-04T17:26:27","modified_gmt":"2024-10-04T20:26:27","slug":"trt23-ex-estagiaria-e-condenada-ao-acionar-a-justica-para-pedir-vinculo-de-emprego-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3789","title":{"rendered":"TRT23 &#8211; Ex- estagi\u00e1ria \u00e9 condenada ao acionar a Justi\u00e7a para pedir v\u00ednculo de emprego"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s acionar a Justi\u00e7a do Trabalho, pedindo reconhecimento de v\u00ednculo de emprego, uma ex-estagi\u00e1ria ter\u00e1 de pagar multa para dois antigos contratantes. A jovem foi condenada por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 ao deixar de informar que havia assinado um contrato de est\u00e1gio.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o dada na 2\u00aa Vara do Trabalho de V\u00e1rzea Grande foi mantida pela 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o (MT).<\/p>\n<p>Ela afirmou que foi contratada para prestar servi\u00e7os no lava a jato, quitinetes e fazenda de propriedade do primeiro patr\u00e3o, como tamb\u00e9m na loja de inform\u00e1tica da segunda propriet\u00e1ria. Disse ainda que trabalhou na condi\u00e7\u00e3o de empregada de maio a dezembro de 2021, mas que n\u00e3o teve a Carteira de Trabalho assinada, tampouco recebeu pelos direitos trabalhistas da rela\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>A verdade veio \u00e0 tona quando o propriet\u00e1rio dos estabelecimentos apresentou o contrato de est\u00e1gio e outros documentos que comprovam que cumpriu as exig\u00eancias dessa forma contratual. Somente ap\u00f3s essa revela\u00e7\u00e3o, a ex-estagi\u00e1ria admitiu o est\u00e1gio. No entanto, alegou que n\u00e3o mencionou o fato, acreditando que os propriet\u00e1rios decidiram desconsiderar o est\u00e1gio ao trat\u00e1-la como empregada.<\/p>\n<p>A alega\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi aceita pelo juiz Edilson da Silva, que julgou a conduta como anti\u00e9tica e desleal. Segundo o magistrado, a jovem agiu de forma deliberada ao n\u00e3o mencionar que no mesmo per\u00edodo em que disse ter havido um v\u00ednculo de emprego havia formalizado um est\u00e1gio.<\/p>\n<p>O magistrado ponderou que \u00e9 de se esperar a controv\u00e9rsia nas discuss\u00f5es levadas ao judici\u00e1rio. O contr\u00e1rio seria um absurdo jur\u00eddico, j\u00e1 que \u00e9 exatamente o lit\u00edgio que leva a quest\u00e3o a ser submetida a julgamento de magistrados. Mas, lembrou que n\u00e3o se pode admitir a altera\u00e7\u00e3o intencional da verdade, de modo a deliberadamente prejudicar a parte contr\u00e1ria ou induzir o ju\u00edzo em erro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O juiz concluiu que a estagi\u00e1ria levou \u00e0 justi\u00e7a aquilo que j\u00e1 sabia n\u00e3o ter direito e, portanto, &#8220;aduziu pretens\u00f5es contra fatos que sabia incontroversos e alterou a verdade dos fatos, caracterizando atitude temer\u00e1ria e de deslealdade processual, classificada como litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>Condenada a pagar multa de 9% do valor da causa a cada um dos ex-contratantes, a ex-estagi\u00e1ria recorreu ao TRT mato-grossense, repetiu os argumentos de que as cl\u00e1usulas do est\u00e1gio haviam sido descumpridas e invocou sua vulnerabilidade social e baixa remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A 1\u00aa Turma do Tribunal, por unanimidade, seguiu a relatora, desembargadora Adenir Carruesco, e manteve a condena\u00e7\u00e3o. Ela destacou que, embora o processo judicial seja um ambiente onde as partes possuem interesses conflitantes, elas t\u00eam o dever de coopera\u00e7\u00e3o e devem utilizar meios leg\u00edtimos para convencer o ju\u00edzo sobre seus direitos. Para isso, as regras estabelecidas pela legisla\u00e7\u00e3o processual visam evitar abusos no exerc\u00edcio da ampla defesa, prevendo as condutas que violam a boa-f\u00e9 e a lealdade processual.<\/p>\n<p>A relatora apontou que a jovem suprimiu de forma intencional uma informa\u00e7\u00e3o relevante e reiterou que, mesmo que acreditasse na invalidade do contrato devido ao descumprimento de alguns requisitos, a estagi\u00e1ria n\u00e3o poderia omiti-lo. A tentativa de induzir o juiz ao erro, como se a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os tivesse ocorrido diretamente sob um v\u00ednculo empregat\u00edcio, \u00e9 ato de flagrante m\u00e1-f\u00e9 conforme estabelece a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) ao tratar de casos em que as partes alterem a verdade dos fatos, destacou a desembargadora.<\/p>\n<p>A 1\u00aa Turma modificou, no entanto, o valor da multa fixado na senten\u00e7a. Com base nas peculiaridades da situa\u00e7\u00e3o e por considerar que o fato teve m\u00ednimos desdobramentos ao final do julgamento, reduziu de 9% para 4% o percentual sobre o valor da causa que a ex-estagi\u00e1ria ter\u00e1 de pagar como multa para cada um dos ex-contratantes.<\/p>\n<p>PJe 0000678-52.2022.5.23.0107<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>#direitotrabalhista #ex-estagi\u00e1ria #pleitodevinculodeemprego #condena\u00e7\u00e3o #m\u00e1-f\u00e9<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s acionar a Justi\u00e7a do Trabalho, pedindo reconhecimento de v\u00ednculo de emprego, uma ex-estagi\u00e1ria ter\u00e1 de pagar multa para dois antigos contratantes. A jovem foi condenada por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 ao deixar de informar que havia assinado um contrato de est\u00e1gio. A decis\u00e3o dada na 2\u00aa Vara do Trabalho de V\u00e1rzea Grande foi mantida pela 1\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o (MT). Ela afirmou que foi contratada para prestar servi\u00e7os no lava a jato, quitinetes e fazenda de propriedade do primeiro patr\u00e3o, como tamb\u00e9m na loja de inform\u00e1tica da segunda propriet\u00e1ria. Disse ainda que trabalhou na condi\u00e7\u00e3o de empregada de maio a dezembro de 2021, mas que n\u00e3o teve a Carteira de Trabalho assinada, tampouco recebeu pelos direitos trabalhistas da rela\u00e7\u00e3o de emprego. A verdade veio \u00e0 tona quando o propriet\u00e1rio dos estabelecimentos apresentou o contrato de est\u00e1gio e outros documentos que comprovam que cumpriu as exig\u00eancias dessa forma contratual. Somente ap\u00f3s essa revela\u00e7\u00e3o, a ex-estagi\u00e1ria admitiu o est\u00e1gio. No entanto, alegou que n\u00e3o mencionou o fato, acreditando que os propriet\u00e1rios decidiram desconsiderar o est\u00e1gio ao trat\u00e1-la como empregada. A alega\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi aceita pelo juiz Edilson da Silva, que julgou a conduta como anti\u00e9tica e desleal. Segundo o magistrado, a jovem agiu de forma deliberada ao n\u00e3o mencionar que no mesmo per\u00edodo em que disse ter havido um v\u00ednculo de emprego havia formalizado um est\u00e1gio. O magistrado ponderou que \u00e9 de se esperar a controv\u00e9rsia nas discuss\u00f5es levadas ao judici\u00e1rio. O contr\u00e1rio seria um absurdo jur\u00eddico, j\u00e1 que \u00e9 exatamente o lit\u00edgio que leva a quest\u00e3o a ser submetida a julgamento de magistrados. Mas, lembrou que n\u00e3o se pode admitir a altera\u00e7\u00e3o intencional da verdade, de modo a deliberadamente prejudicar a parte contr\u00e1ria ou induzir o ju\u00edzo em erro. &nbsp; O juiz concluiu que a estagi\u00e1ria levou \u00e0 justi\u00e7a aquilo que j\u00e1 sabia n\u00e3o ter direito e, portanto, &#8220;aduziu pretens\u00f5es contra fatos que sabia incontroversos e alterou a verdade dos fatos, caracterizando atitude temer\u00e1ria e de deslealdade processual, classificada como litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9&#8221;. Condenada a pagar multa de 9% do valor da causa a cada um dos ex-contratantes, a ex-estagi\u00e1ria recorreu ao TRT mato-grossense, repetiu os argumentos de que as cl\u00e1usulas do est\u00e1gio haviam sido descumpridas e invocou sua vulnerabilidade social e baixa remunera\u00e7\u00e3o. A 1\u00aa Turma do Tribunal, por unanimidade, seguiu a relatora, desembargadora Adenir Carruesco, e manteve a condena\u00e7\u00e3o. Ela destacou que, embora o processo judicial seja um ambiente onde as partes possuem interesses conflitantes, elas t\u00eam o dever de coopera\u00e7\u00e3o e devem utilizar meios leg\u00edtimos para convencer o ju\u00edzo sobre seus direitos. Para isso, as regras estabelecidas pela legisla\u00e7\u00e3o processual visam evitar abusos no exerc\u00edcio da ampla defesa, prevendo as condutas que violam a boa-f\u00e9 e a lealdade processual. A relatora apontou que a jovem suprimiu de forma intencional uma informa\u00e7\u00e3o relevante e reiterou que, mesmo que acreditasse na invalidade do contrato devido ao descumprimento de alguns requisitos, a estagi\u00e1ria n\u00e3o poderia omiti-lo. A tentativa de induzir o juiz ao erro, como se a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os tivesse ocorrido diretamente sob um v\u00ednculo empregat\u00edcio, \u00e9 ato de flagrante m\u00e1-f\u00e9 conforme estabelece a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) ao tratar de casos em que as partes alterem a verdade dos fatos, destacou a desembargadora. A 1\u00aa Turma modificou, no entanto, o valor da multa fixado na senten\u00e7a. Com base nas peculiaridades da situa\u00e7\u00e3o e por considerar que o fato teve m\u00ednimos desdobramentos ao final do julgamento, reduziu de 9% para 4% o percentual sobre o valor da causa que a ex-estagi\u00e1ria ter\u00e1 de pagar como multa para cada um dos ex-contratantes. PJe 0000678-52.2022.5.23.0107 &nbsp; Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 23\u00aa Regi\u00e3o &nbsp; #direitotrabalhista #ex-estagi\u00e1ria #pleitodevinculodeemprego #condena\u00e7\u00e3o #m\u00e1-f\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3789","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3789","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3789"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3789\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3790,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3789\/revisions\/3790"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3789"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3789"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3789"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}