{"id":3815,"date":"2023-10-19T17:59:40","date_gmt":"2023-10-19T20:59:40","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3815"},"modified":"2024-10-04T18:00:41","modified_gmt":"2024-10-04T21:00:41","slug":"stj-avalista-que-tomou-emprestimo-para-saldar-divida-sozinho-nao-pode-cobrar-encargos-do-coavalista-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3815","title":{"rendered":"STJ &#8211; Avalista que tomou empr\u00e9stimo para saldar d\u00edvida sozinho n\u0103o pode cobrar encargos do coavalista"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que, na hip\u00f3tese de aval simult\u00e2neo, o avalista n\u00e3o tem o direito de exigir do coavalista, em a\u00e7\u00e3o de regresso, a sua parte proporcional nos encargos de empr\u00e9stimo contratado exclusivamente para liquidar o d\u00e9bito avalizado. Segundo o colegiado, o direito de regresso do avalista que paga sozinho toda a d\u00edvida garantida abrange apenas aquilo que foi objeto do aval, na propor\u00e7\u00e3o da quota-parte de cada um.<\/p>\n<p>De acordo com o processo, dois empres\u00e1rios prestaram aval, simultaneamente, em favor de uma empresa, tendo por objeto a integralidade de d\u00edvida representada por C\u00e9dulas de Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio. Cobrado, um dos avalistas pagou a totalidade da d\u00edvida e, em seguida, ajuizou a\u00e7\u00e3o de regresso contra o coavalista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de metade do valor da obriga\u00e7\u00e3o avalizada, o autor da a\u00e7\u00e3o cobrou a metade dos encargos de um empr\u00e9stimo que ele contratou exclusivamente para liquidar a d\u00edvida. O ju\u00edzo de primeiro grau julgou a a\u00e7\u00e3o parcialmente procedente, condenando o coavalista a pagar sua parte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida liquidada, mas afastando o dever de dividir os encargos do empr\u00e9stimo contratado.<\/p>\n<p>O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), ao analisar o caso, entendeu que o r\u00e9u n\u00e3o foi parte do contrato celebrado para quitar a d\u00edvida original e, portanto, n\u00e3o poderia ser submetido aos seus encargos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Direito de regresso do avalista abrange somente o objeto do aval<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso no STJ, afirmou que o aval simult\u00e2neo \u00e9 regido pela regra comum da solidariedade passiva: os garantidores poder\u00e3o cobrar do devedor principal a totalidade da d\u00edvida e ter\u00e3o o direito de regresso contra o coavalista apenas pela quota-parte de cada um.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, \u00e9 poss\u00edvel concluir que, na hip\u00f3tese de aval simult\u00e2neo, o avalista pode cobrar, regressivamente, do coavalista aquilo que despendeu sozinho para pagamento da d\u00edvida, na propor\u00e7\u00e3o da sua quota-parte&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entretanto, a relatora destacou que a efic\u00e1cia do aval se limita \u00e0quilo que foi pactuado, n\u00e3o podendo o avalista ser cobrado para al\u00e9m da garantia ofertada. Desse modo, explicou a ministra, se um dos avalistas contrata empr\u00e9stimo para poder pagar o d\u00e9bito avalizado, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel estender os efeitos desse contrato ao coavalista que dele n\u00e3o fez parte e que com ele n\u00e3o concordou, salvo se houver uma estipula\u00e7\u00e3o negocial em contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;O empr\u00e9stimo em quest\u00e3o foi celebrado entre avalista e mutuante, produzindo efeitos, portanto, somente entre as partes, sendo absolutamente estranho ao coavalista que com ele n\u00e3o guarda qualquer rela\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o direito de regresso do avalista que paga, sozinho, toda a d\u00edvida garantida abrange, t\u00e3o somente, aquilo que foi objeto do aval, na propor\u00e7\u00e3o da quota-parte de cada um&#8221;, concluiu a relatora ao negar provimento ao recurso especial.<\/p>\n<p>REsp 2060973<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>#direitocivil #empr\u00e9stimo #aval #encargos #not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), por unanimidade, decidiu que, na hip\u00f3tese de aval simult\u00e2neo, o avalista n\u00e3o tem o direito de exigir do coavalista, em a\u00e7\u00e3o de regresso, a sua parte proporcional nos encargos de empr\u00e9stimo contratado exclusivamente para liquidar o d\u00e9bito avalizado. Segundo o colegiado, o direito de regresso do avalista que paga sozinho toda a d\u00edvida garantida abrange apenas aquilo que foi objeto do aval, na propor\u00e7\u00e3o da quota-parte de cada um. De acordo com o processo, dois empres\u00e1rios prestaram aval, simultaneamente, em favor de uma empresa, tendo por objeto a integralidade de d\u00edvida representada por C\u00e9dulas de Cr\u00e9dito Banc\u00e1rio. Cobrado, um dos avalistas pagou a totalidade da d\u00edvida e, em seguida, ajuizou a\u00e7\u00e3o de regresso contra o coavalista. Al\u00e9m de metade do valor da obriga\u00e7\u00e3o avalizada, o autor da a\u00e7\u00e3o cobrou a metade dos encargos de um empr\u00e9stimo que ele contratou exclusivamente para liquidar a d\u00edvida. O ju\u00edzo de primeiro grau julgou a a\u00e7\u00e3o parcialmente procedente, condenando o coavalista a pagar sua parte em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00edvida liquidada, mas afastando o dever de dividir os encargos do empr\u00e9stimo contratado. O Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo (TJSP), ao analisar o caso, entendeu que o r\u00e9u n\u00e3o foi parte do contrato celebrado para quitar a d\u00edvida original e, portanto, n\u00e3o poderia ser submetido aos seus encargos. &nbsp; Direito de regresso do avalista abrange somente o objeto do aval &nbsp; A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso no STJ, afirmou que o aval simult\u00e2neo \u00e9 regido pela regra comum da solidariedade passiva: os garantidores poder\u00e3o cobrar do devedor principal a totalidade da d\u00edvida e ter\u00e3o o direito de regresso contra o coavalista apenas pela quota-parte de cada um. &#8220;Assim, \u00e9 poss\u00edvel concluir que, na hip\u00f3tese de aval simult\u00e2neo, o avalista pode cobrar, regressivamente, do coavalista aquilo que despendeu sozinho para pagamento da d\u00edvida, na propor\u00e7\u00e3o da sua quota-parte&#8221;, declarou. &nbsp; Entretanto, a relatora destacou que a efic\u00e1cia do aval se limita \u00e0quilo que foi pactuado, n\u00e3o podendo o avalista ser cobrado para al\u00e9m da garantia ofertada. Desse modo, explicou a ministra, se um dos avalistas contrata empr\u00e9stimo para poder pagar o d\u00e9bito avalizado, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel estender os efeitos desse contrato ao coavalista que dele n\u00e3o fez parte e que com ele n\u00e3o concordou, salvo se houver uma estipula\u00e7\u00e3o negocial em contr\u00e1rio. &#8220;O empr\u00e9stimo em quest\u00e3o foi celebrado entre avalista e mutuante, produzindo efeitos, portanto, somente entre as partes, sendo absolutamente estranho ao coavalista que com ele n\u00e3o guarda qualquer rela\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, o direito de regresso do avalista que paga, sozinho, toda a d\u00edvida garantida abrange, t\u00e3o somente, aquilo que foi objeto do aval, na propor\u00e7\u00e3o da quota-parte de cada um&#8221;, concluiu a relatora ao negar provimento ao recurso especial. REsp 2060973 &nbsp; Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a &nbsp; #direitocivil #empr\u00e9stimo #aval #encargos #not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3815","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3815"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3816,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3815\/revisions\/3816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}