{"id":3830,"date":"2023-10-16T13:31:24","date_gmt":"2023-10-16T16:31:24","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3830"},"modified":"2024-10-08T13:34:03","modified_gmt":"2024-10-08T16:34:03","slug":"stj-prescricao-anterior-a-coexistencia-de-dividas-impede-sua-compensacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3830","title":{"rendered":"STJ &#8211; Prescri\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 coexist\u00eancia de d\u00edvidas impede sua compensa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) manteve ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) que entendeu que uma d\u00edvida n\u00e3o pode ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o caso a sua prescri\u00e7\u00e3o tenha se consumado antes da coexist\u00eancia com aquela que deveria ser compensada.<\/p>\n<p>De acordo com os autos, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o revisional de conta-corrente, com pedido de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito, contra um banco que teria cobrado juros, taxas e tarifas indevidamente, al\u00e9m de praticar venda casada.<\/p>\n<p>Iniciado o cumprimento de senten\u00e7a, o banco apresentou impugna\u00e7\u00e3o e aventou a possibilidade de compensa\u00e7\u00e3o de parcela do valor devido com cr\u00e9ditos que possuiria perante a autora da a\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo rejeitou a impugna\u00e7\u00e3o e afastou a compensa\u00e7\u00e3o, sob o fundamento de que os cr\u00e9ditos da institui\u00e7\u00e3o financeira j\u00e1 estariam prescritos. O tribunal local manteve a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>No recurso dirigido ao STJ, o banco argumentou que a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o atinge o direito em si, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o impediria a compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exigibilidade dos cr\u00e9ditos deve existir ao mesmo tempo<\/p>\n<p>A relatora, ministra Nancy Andrighi, afirmou que, de acordo com o artigo 368 do C\u00f3digo Civil, h\u00e1 a hip\u00f3tese de compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos caso as partes envolvidas sejam credoras e devedoras uma da outra concomitantemente.<\/p>\n<p>Para tanto, a ministra lembrou que \u00e9 necess\u00e1rio que os cr\u00e9ditos sejam exig\u00edveis ao mesmo tempo, caso contr\u00e1rio n\u00e3o poder\u00e3o ser compensados. &#8220;A compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 direito formativo extintivo e, no direito brasileiro, opera por for\u00e7a de lei no momento da coexist\u00eancia das d\u00edvidas&#8221;, completou.<\/p>\n<p>A relatora comentou que, para as d\u00edvidas serem compens\u00e1veis, o artigo 369 do C\u00f3digo Civil exige que sejam l\u00edquidas, vencidas e de coisas fung\u00edveis, mas a doutrina considera que o legislador deveria ter feito men\u00e7\u00e3o a &#8220;exig\u00edveis&#8221; em vez de &#8220;vencidas&#8221;, pois n\u00e3o pode ser considerado exig\u00edvel pela compensa\u00e7\u00e3o um d\u00e9bito n\u00e3o exig\u00edvel para pagamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Doutrina admite hip\u00f3tese de compensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito prescrito<\/p>\n<p>Por outro lado, ainda com apoio na doutrina, Nancy Andrighi ressalvou que &#8220;a prescri\u00e7\u00e3o somente obstar\u00e1 a compensa\u00e7\u00e3o se ela for anterior ao momento da coexist\u00eancia das d\u00edvidas. Se o prazo prescricional se completou posteriormente a esse fato, a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui empecilho \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos&#8221;.<\/p>\n<p>No caso em julgamento, a ministra observou que a prescri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito da institui\u00e7\u00e3o financeira ocorreu em 2008, quando a sua d\u00edvida com o autor da a\u00e7\u00e3o revisional ainda n\u00e3o gozava do requisito da liquidez, pois tal a\u00e7\u00e3o s\u00f3 viria a ser ajuizada em 2011.<\/p>\n<p>&#8220;Conclui-se que, na oportunidade em que o cr\u00e9dito da parte autora se tornou l\u00edquido, a pretens\u00e3o do banco recorrente j\u00e1 estava prescrita, n\u00e3o havendo que se falar em compensa\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu.<\/p>\n<p>REsp 2007141<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>#direitocivil #d\u00edvidas #prescri\u00e7\u00e3o #compensa\u00e7\u00e3o #exigibilidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) manteve ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) que entendeu que uma d\u00edvida n\u00e3o pode ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o caso a sua prescri\u00e7\u00e3o tenha se consumado antes da coexist\u00eancia com aquela que deveria ser compensada. De acordo com os autos, foi ajuizada a\u00e7\u00e3o revisional de conta-corrente, com pedido de repeti\u00e7\u00e3o de ind\u00e9bito, contra um banco que teria cobrado juros, taxas e tarifas indevidamente, al\u00e9m de praticar venda casada. Iniciado o cumprimento de senten\u00e7a, o banco apresentou impugna\u00e7\u00e3o e aventou a possibilidade de compensa\u00e7\u00e3o de parcela do valor devido com cr\u00e9ditos que possuiria perante a autora da a\u00e7\u00e3o. O ju\u00edzo rejeitou a impugna\u00e7\u00e3o e afastou a compensa\u00e7\u00e3o, sob o fundamento de que os cr\u00e9ditos da institui\u00e7\u00e3o financeira j\u00e1 estariam prescritos. O tribunal local manteve a decis\u00e3o. No recurso dirigido ao STJ, o banco argumentou que a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o atinge o direito em si, raz\u00e3o pela qual n\u00e3o impediria a compensa\u00e7\u00e3o. &nbsp; Exigibilidade dos cr\u00e9ditos deve existir ao mesmo tempo A relatora, ministra Nancy Andrighi, afirmou que, de acordo com o artigo 368 do C\u00f3digo Civil, h\u00e1 a hip\u00f3tese de compensa\u00e7\u00e3o de cr\u00e9ditos caso as partes envolvidas sejam credoras e devedoras uma da outra concomitantemente. Para tanto, a ministra lembrou que \u00e9 necess\u00e1rio que os cr\u00e9ditos sejam exig\u00edveis ao mesmo tempo, caso contr\u00e1rio n\u00e3o poder\u00e3o ser compensados. &#8220;A compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 direito formativo extintivo e, no direito brasileiro, opera por for\u00e7a de lei no momento da coexist\u00eancia das d\u00edvidas&#8221;, completou. A relatora comentou que, para as d\u00edvidas serem compens\u00e1veis, o artigo 369 do C\u00f3digo Civil exige que sejam l\u00edquidas, vencidas e de coisas fung\u00edveis, mas a doutrina considera que o legislador deveria ter feito men\u00e7\u00e3o a &#8220;exig\u00edveis&#8221; em vez de &#8220;vencidas&#8221;, pois n\u00e3o pode ser considerado exig\u00edvel pela compensa\u00e7\u00e3o um d\u00e9bito n\u00e3o exig\u00edvel para pagamento. &nbsp; Doutrina admite hip\u00f3tese de compensa\u00e7\u00e3o de d\u00e9bito prescrito Por outro lado, ainda com apoio na doutrina, Nancy Andrighi ressalvou que &#8220;a prescri\u00e7\u00e3o somente obstar\u00e1 a compensa\u00e7\u00e3o se ela for anterior ao momento da coexist\u00eancia das d\u00edvidas. Se o prazo prescricional se completou posteriormente a esse fato, a prescri\u00e7\u00e3o n\u00e3o constitui empecilho \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos&#8221;. No caso em julgamento, a ministra observou que a prescri\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito da institui\u00e7\u00e3o financeira ocorreu em 2008, quando a sua d\u00edvida com o autor da a\u00e7\u00e3o revisional ainda n\u00e3o gozava do requisito da liquidez, pois tal a\u00e7\u00e3o s\u00f3 viria a ser ajuizada em 2011. &#8220;Conclui-se que, na oportunidade em que o cr\u00e9dito da parte autora se tornou l\u00edquido, a pretens\u00e3o do banco recorrente j\u00e1 estava prescrita, n\u00e3o havendo que se falar em compensa\u00e7\u00e3o&#8221;, concluiu. REsp 2007141 &nbsp; Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a &nbsp; #direitocivil #d\u00edvidas #prescri\u00e7\u00e3o #compensa\u00e7\u00e3o #exigibilidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-3830","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3830","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3830"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3830\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3831,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3830\/revisions\/3831"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3830"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3830"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3830"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}