{"id":3848,"date":"2023-10-09T14:53:11","date_gmt":"2023-10-09T17:53:11","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3848"},"modified":"2024-10-08T14:54:35","modified_gmt":"2024-10-08T17:54:35","slug":"trt1-empresa-e-condenada-a-indenizar-trabalhadora-que-alegou-ser-vitima-de-discriminacao-religiosa-no-ambiente-de-trabalho-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=3848","title":{"rendered":"TRT1 &#8211; Empresa \u00e9 condenada a indenizar trabalhadora que alegou ser v\u00edtima de discrimina\u00e7\u00e3o religiosa no ambiente de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Uma trabalhadora que alegou ter sido discriminada no trabalho por sua op\u00e7\u00e3o religiosa ao Candombl\u00e9 teve reconhecido, no ju\u00edzo de origem, o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, fixada no valor de R$ 30 mil. A decis\u00e3o \u2013 da qual cabe recurso \u00e0 segunda inst\u00e2ncia \u2013 foi do juiz Andr\u00e9 Luiz Amorim Franco, titular da 17\u00aa Vara do Trabalho do Rio de Janeiro (17\u00aa VT\/RJ) do Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa Regi\u00e3o (RJ).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso em quest\u00e3o, a trabalhadora foi contratada por uma companhia varejista em 3\/11\/20 e dispensada em 14\/1\/22, ocupando o cargo de supervisora de vendas. Buscou a Justi\u00e7a do Trabalho, afirmando que foi assediada pelo seu gerente devido \u00e0 sua ado\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o do Candombl\u00e9. Argumentou que o seu superior a perseguia e a boicotava no ambiente de trabalho, inclusive instruindo-a a remover seus cord\u00f5es espirituais, que s\u00e3o parte dos trajes utilizados por sua religi\u00e3o. Dessa forma, requereu o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral por ter sofrido ass\u00e9dio religioso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em sua defesa, a empresa alegou ser uma organiza\u00e7\u00e3o inclusiva em todos os aspectos, possuindo em seu quadro de pessoal ampla diversidade de ra\u00e7as, g\u00eaneros, orienta\u00e7\u00f5es sexuais e religi\u00f5es. Argumentou que, se a trabalhadora n\u00e3o fosse respeitada, seria incoerente sua promo\u00e7\u00e3o a cargos de lideran\u00e7a e gest\u00e3o ao longo do contrato de trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao proferir a senten\u00e7a, o magistrado inicialmente fez uma an\u00e1lise hist\u00f3rica, constatando que o Brasil foi submetido a um processo de coloniza\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje contrasta suas ramifica\u00e7\u00f5es. Segundo ele, diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o estruturada deixaram marcas profundas em nossa sociedade. Neste rol, o magistrado incluiu o preconceito (ou at\u00e9 mesmo desconhecimento) \u00e0s religi\u00f5es de matrizes africanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O juiz observou que, pela prova oral colhida (depoimento de uma testemunha), o chefe da autora da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o lidou bem com as mudan\u00e7as de vida que ela resolveu adotar, trocando sua religi\u00e3o para o Candombl\u00e9. &#8220;(&#8230;) certo \u00e9 que a estrutura do preconceito veio \u00e0 lume, com a indisfar\u00e7\u00e1vel intoler\u00e2ncia religiosa, ferindo frontalmente a dignidade da trabalhadora, que passou a ser constrangida com o &#8220;novo&#8221; tratamento \u2013 al\u00e9m de constranger, via reflexa, todo o ambiente de trabalho&#8221;, concluiu o magistrado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o juiz, a discrimina\u00e7\u00e3o ocorria por meio de determinadas atitudes no ambiente laboral, tais como deboches e exclus\u00e3o da profissional em reuni\u00f5es semanais de gest\u00e3o, que traziam constrangimentos \u00e0 empregada. &#8220;A reclamada, por seu preposto, excedeu o seu poder diretivo, agindo com abuso de autoridade, preconceito e persegui\u00e7\u00e3o, praticando ato il\u00edcito inconteste, lesando a honra da autora, cuja compensa\u00e7\u00e3o deve ser imperativa, dentro do preceito constitucional&#8221;, assinalou o magistrado na senten\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O titular da 17\u00aa VT\/RJ refor\u00e7ou que \u00e9 dever do Poder Judici\u00e1rio garantir a observ\u00e2ncia dos tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais acerca dos direitos humanos \u2013 Recomenda\u00e7\u00e3o n\u00ba 123\/22, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) &#8211; por um ambiente de trabalho livre, saud\u00e1vel e plural. Al\u00e9m disso, ressaltou que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal garante a liberdade religiosa e a escolha da f\u00e9, sem que isso d\u00ea margem a qualquer tipo de tratamento discriminat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dessa forma, fixou a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais no valor de R$30 mil. A decis\u00e3o, de acordo com o magistrado, &#8220;assume, tamb\u00e9m, o enquadramento referente ao julgamento sob a perspectiva de g\u00eanero, dentro dos ditames da meta 9 do CNJ e objeto 5 da Agenda 2030 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), visando \u00e0 busca da igualdade e empoderamento das mulheres, coibindo ass\u00e9dios e preconceitos, corrigindo les\u00f5es, para que o respeito e a dignidade das mesmas seja real\u00e7ado, em qualquer lugar que frequente, garantindo-se e fomentando-se a efetiva igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas decis\u00f5es proferidas pela Justi\u00e7a do Trabalho, s\u00e3o admiss\u00edveis os recursos enumerados no art. 893 da CLT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa<\/p>\n<p>#direitotrabalhista #preconceitoreligioso #empregador #indeniza\u00e7\u00e3o #recomenda\u00e7\u00e3o123\/22CNJ<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma trabalhadora que alegou ter sido discriminada no trabalho por sua op\u00e7\u00e3o religiosa ao Candombl\u00e9 teve reconhecido, no ju\u00edzo de origem, o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, fixada no valor de R$ 30 mil. A decis\u00e3o \u2013 da qual cabe recurso \u00e0 segunda inst\u00e2ncia \u2013 foi do juiz Andr\u00e9 Luiz Amorim Franco, titular da 17\u00aa Vara do Trabalho do Rio de Janeiro (17\u00aa VT\/RJ) do Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa Regi\u00e3o (RJ). &nbsp; No caso em quest\u00e3o, a trabalhadora foi contratada por uma companhia varejista em 3\/11\/20 e dispensada em 14\/1\/22, ocupando o cargo de supervisora de vendas. Buscou a Justi\u00e7a do Trabalho, afirmando que foi assediada pelo seu gerente devido \u00e0 sua ado\u00e7\u00e3o \u00e0 religi\u00e3o do Candombl\u00e9. Argumentou que o seu superior a perseguia e a boicotava no ambiente de trabalho, inclusive instruindo-a a remover seus cord\u00f5es espirituais, que s\u00e3o parte dos trajes utilizados por sua religi\u00e3o. Dessa forma, requereu o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral por ter sofrido ass\u00e9dio religioso. &nbsp; Em sua defesa, a empresa alegou ser uma organiza\u00e7\u00e3o inclusiva em todos os aspectos, possuindo em seu quadro de pessoal ampla diversidade de ra\u00e7as, g\u00eaneros, orienta\u00e7\u00f5es sexuais e religi\u00f5es. Argumentou que, se a trabalhadora n\u00e3o fosse respeitada, seria incoerente sua promo\u00e7\u00e3o a cargos de lideran\u00e7a e gest\u00e3o ao longo do contrato de trabalho. &nbsp; Ao proferir a senten\u00e7a, o magistrado inicialmente fez uma an\u00e1lise hist\u00f3rica, constatando que o Brasil foi submetido a um processo de coloniza\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje contrasta suas ramifica\u00e7\u00f5es. Segundo ele, diversas formas de discrimina\u00e7\u00e3o estruturada deixaram marcas profundas em nossa sociedade. Neste rol, o magistrado incluiu o preconceito (ou at\u00e9 mesmo desconhecimento) \u00e0s religi\u00f5es de matrizes africanas. &nbsp; O juiz observou que, pela prova oral colhida (depoimento de uma testemunha), o chefe da autora da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o lidou bem com as mudan\u00e7as de vida que ela resolveu adotar, trocando sua religi\u00e3o para o Candombl\u00e9. &#8220;(&#8230;) certo \u00e9 que a estrutura do preconceito veio \u00e0 lume, com a indisfar\u00e7\u00e1vel intoler\u00e2ncia religiosa, ferindo frontalmente a dignidade da trabalhadora, que passou a ser constrangida com o &#8220;novo&#8221; tratamento \u2013 al\u00e9m de constranger, via reflexa, todo o ambiente de trabalho&#8221;, concluiu o magistrado. &nbsp; Segundo o juiz, a discrimina\u00e7\u00e3o ocorria por meio de determinadas atitudes no ambiente laboral, tais como deboches e exclus\u00e3o da profissional em reuni\u00f5es semanais de gest\u00e3o, que traziam constrangimentos \u00e0 empregada. &#8220;A reclamada, por seu preposto, excedeu o seu poder diretivo, agindo com abuso de autoridade, preconceito e persegui\u00e7\u00e3o, praticando ato il\u00edcito inconteste, lesando a honra da autora, cuja compensa\u00e7\u00e3o deve ser imperativa, dentro do preceito constitucional&#8221;, assinalou o magistrado na senten\u00e7a. &nbsp; O titular da 17\u00aa VT\/RJ refor\u00e7ou que \u00e9 dever do Poder Judici\u00e1rio garantir a observ\u00e2ncia dos tratados e conven\u00e7\u00f5es internacionais acerca dos direitos humanos \u2013 Recomenda\u00e7\u00e3o n\u00ba 123\/22, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) &#8211; por um ambiente de trabalho livre, saud\u00e1vel e plural. Al\u00e9m disso, ressaltou que a Constitui\u00e7\u00e3o Federal garante a liberdade religiosa e a escolha da f\u00e9, sem que isso d\u00ea margem a qualquer tipo de tratamento discriminat\u00f3rio. &nbsp; Dessa forma, fixou a indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais no valor de R$30 mil. A decis\u00e3o, de acordo com o magistrado, &#8220;assume, tamb\u00e9m, o enquadramento referente ao julgamento sob a perspectiva de g\u00eanero, dentro dos ditames da meta 9 do CNJ e objeto 5 da Agenda 2030 da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), visando \u00e0 busca da igualdade e empoderamento das mulheres, coibindo ass\u00e9dios e preconceitos, corrigindo les\u00f5es, para que o respeito e a dignidade das mesmas seja real\u00e7ado, em qualquer lugar que frequente, garantindo-se e fomentando-se a efetiva igualdade e n\u00e3o discrimina\u00e7\u00e3o.&#8221; &nbsp; Nas decis\u00f5es proferidas pela Justi\u00e7a do Trabalho, s\u00e3o admiss\u00edveis os recursos enumerados no art. 893 da CLT. &nbsp; Fonte: Tribunal Regional do Trabalho da 1\u00aa #direitotrabalhista #preconceitoreligioso #empregador #indeniza\u00e7\u00e3o 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