{"id":4102,"date":"2023-06-13T16:50:41","date_gmt":"2023-06-13T19:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4102"},"modified":"2024-10-09T16:51:46","modified_gmt":"2024-10-09T19:51:46","slug":"stj-possuidor-de-imovel-encravado-tem-direito-a-passagem-forcada-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4102","title":{"rendered":"STJ &#8211; Possuidor de im\u00f3vel encravado tem direito \u00e0 passagem for\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o possuidor tem direito \u00e0 passagem for\u00e7ada na hip\u00f3tese de im\u00f3vel encravado, nos termos do artigo 1.285 do C\u00f3digo Civil (CC). Segundo o colegiado, a exist\u00eancia da posse sem a possibilidade concreta de usar da coisa em raz\u00e3o do encravamento significaria retirar do im\u00f3vel todo seu valor e sua utilidade.<\/p>\n<p>No caso dos autos, uma moradora de Foz do Igua\u00e7u (PR) pediu uma tutela de urg\u00eancia em car\u00e1ter antecedente para a desobstru\u00e7\u00e3o de uma estrada, a fim de ter acesso ao im\u00f3vel do qual era possuidora. O juiz determinou que a empresa propriet\u00e1ria do terreno vizinho realizasse a imediata desobstru\u00e7\u00e3o, sob pena de multa di\u00e1ria de mil reais, limitada ao valor total de R$ 100 mil.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o de passagem formada foi ajuizada, mas a senten\u00e7a extinguiu o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, sob o fundamento de que a autora n\u00e3o teria legitimidade ativa por n\u00e3o ser propriet\u00e1ria do bem, mas t\u00e3o somente possuidora. O Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o da autora, o que motivou a interposi\u00e7\u00e3o de recurso especial por parte da empresa.<\/p>\n<p>Instituto se encontra mais vinculado ao im\u00f3vel encravado do que ao seu titular<\/p>\n<p>A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, observou que, entre os direitos de vizinhan\u00e7a, insere-se o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada, segundo o qual o dono do pr\u00e9dio que n\u00e3o tiver acesso a via p\u00fablica, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo ser\u00e1 judicialmente fixado, se necess\u00e1rio. A relatora acrescentou que tal instituto encontra fundamento nos princ\u00edpios da solidariedade social e da fun\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica da propriedade e da posse.<\/p>\n<p>Nancy Andrighi afirmou que, quanto \u00e0 titularidade ativa do direito, uma interpreta\u00e7\u00e3o apenas literal do artigo 1.285 do CC poderia conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que somente o propriet\u00e1rio teria direito \u00e0 passagem for\u00e7ada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, segundo a ministra, o instituto se encontra vinculado muito mais ao im\u00f3vel encravado do que propriamente ao seu titular, ou seja, almeja-se a manuten\u00e7\u00e3o do valor e da utilidade socioecon\u00f4mica da pr\u00f3pria coisa.<\/p>\n<p>&#8220;Muito embora a propriedade e a posse n\u00e3o se confundam, ambas garantem ao seu titular a possibilidade de usar e fruir da coisa e s\u00e3o essas prerrogativas comuns que, exercidas dentro dos par\u00e2metros legais e constitucionais, garantem o respeito ao princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 o fundamento do direito \u00e0 passagem for\u00e7ada&#8221;, declarou.<\/p>\n<p>A relatora destacou que de nada valeria a condi\u00e7\u00e3o de possuidor de im\u00f3vel encravado se a ele n\u00e3o fosse tamb\u00e9m atribu\u00eddo o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada quando necess\u00e1rio, pois, caso contr\u00e1rio, seria possuidor de im\u00f3vel destitu\u00eddo de qualquer valor, utilidade e fun\u00e7\u00e3o, o que violaria o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado, exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel<\/p>\n<p>A ministra ressaltou, tamb\u00e9m, que negar o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada ao possuidor significaria autorizar, pelo vizinho do im\u00f3vel encravado, o uso anormal da propriedade, segundo o qual o indiv\u00edduo perturba a sa\u00fade, a seguran\u00e7a e o sossego daqueles que possuem propriedade vizinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel, em desacordo com o interesse social e em preju\u00edzo da conviv\u00eancia harm\u00f4nica em comunidade, o que configura n\u00e3o apenas uso anormal da propriedade mas tamb\u00e9m ofensa \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o social, situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o merece a tutela do ordenamento jur\u00eddico&#8221;, concluiu a relatora.<\/p>\n<p>REsp 2029511<\/p>\n<p>Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/p>\n<p>#direito #real #STJ #codigocivil #artigo1285 #tuteladeurg\u00eancia #multajudicial #TJPR #TJRS #razoabilidade<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) decidiu que o possuidor tem direito \u00e0 passagem for\u00e7ada na hip\u00f3tese de im\u00f3vel encravado, nos termos do artigo 1.285 do C\u00f3digo Civil (CC). Segundo o colegiado, a exist\u00eancia da posse sem a possibilidade concreta de usar da coisa em raz\u00e3o do encravamento significaria retirar do im\u00f3vel todo seu valor e sua utilidade. No caso dos autos, uma moradora de Foz do Igua\u00e7u (PR) pediu uma tutela de urg\u00eancia em car\u00e1ter antecedente para a desobstru\u00e7\u00e3o de uma estrada, a fim de ter acesso ao im\u00f3vel do qual era possuidora. O juiz determinou que a empresa propriet\u00e1ria do terreno vizinho realizasse a imediata desobstru\u00e7\u00e3o, sob pena de multa di\u00e1ria de mil reais, limitada ao valor total de R$ 100 mil. A a\u00e7\u00e3o de passagem formada foi ajuizada, mas a senten\u00e7a extinguiu o processo sem resolu\u00e7\u00e3o do m\u00e9rito, sob o fundamento de que a autora n\u00e3o teria legitimidade ativa por n\u00e3o ser propriet\u00e1ria do bem, mas t\u00e3o somente possuidora. O Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1 (TJPR) deu provimento \u00e0 apela\u00e7\u00e3o da autora, o que motivou a interposi\u00e7\u00e3o de recurso especial por parte da empresa. Instituto se encontra mais vinculado ao im\u00f3vel encravado do que ao seu titular A ministra Nancy Andrighi, relatora do recurso, observou que, entre os direitos de vizinhan\u00e7a, insere-se o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada, segundo o qual o dono do pr\u00e9dio que n\u00e3o tiver acesso a via p\u00fablica, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo ser\u00e1 judicialmente fixado, se necess\u00e1rio. A relatora acrescentou que tal instituto encontra fundamento nos princ\u00edpios da solidariedade social e da fun\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica da propriedade e da posse. Nancy Andrighi afirmou que, quanto \u00e0 titularidade ativa do direito, uma interpreta\u00e7\u00e3o apenas literal do artigo 1.285 do CC poderia conduzir \u00e0 conclus\u00e3o de que somente o propriet\u00e1rio teria direito \u00e0 passagem for\u00e7ada. &nbsp; Contudo, segundo a ministra, o instituto se encontra vinculado muito mais ao im\u00f3vel encravado do que propriamente ao seu titular, ou seja, almeja-se a manuten\u00e7\u00e3o do valor e da utilidade socioecon\u00f4mica da pr\u00f3pria coisa. &#8220;Muito embora a propriedade e a posse n\u00e3o se confundam, ambas garantem ao seu titular a possibilidade de usar e fruir da coisa e s\u00e3o essas prerrogativas comuns que, exercidas dentro dos par\u00e2metros legais e constitucionais, garantem o respeito ao princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social, que \u00e9 o fundamento do direito \u00e0 passagem for\u00e7ada&#8221;, declarou. A relatora destacou que de nada valeria a condi\u00e7\u00e3o de possuidor de im\u00f3vel encravado se a ele n\u00e3o fosse tamb\u00e9m atribu\u00eddo o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada quando necess\u00e1rio, pois, caso contr\u00e1rio, seria possuidor de im\u00f3vel destitu\u00eddo de qualquer valor, utilidade e fun\u00e7\u00e3o, o que violaria o princ\u00edpio da fun\u00e7\u00e3o social. Vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado, exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel A ministra ressaltou, tamb\u00e9m, que negar o direito \u00e0 passagem for\u00e7ada ao possuidor significaria autorizar, pelo vizinho do im\u00f3vel encravado, o uso anormal da propriedade, segundo o qual o indiv\u00edduo perturba a sa\u00fade, a seguran\u00e7a e o sossego daqueles que possuem propriedade vizinha. &nbsp; &#8220;O vizinho que recusa passagem ao possuidor do im\u00f3vel encravado exerce seu direito de maneira n\u00e3o razo\u00e1vel, em desacordo com o interesse social e em preju\u00edzo da conviv\u00eancia harm\u00f4nica em comunidade, o que configura n\u00e3o apenas uso anormal da propriedade mas tamb\u00e9m ofensa \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o social, situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o merece a tutela do ordenamento jur\u00eddico&#8221;, concluiu a relatora. REsp 2029511 Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a #direito #real #STJ #codigocivil #artigo1285 #tuteladeurg\u00eancia #multajudicial #TJPR #TJRS #razoabilidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4102","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4102","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4102"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4102\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4103,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4102\/revisions\/4103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4102"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4102"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4102"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}