{"id":4133,"date":"2021-07-28T17:44:50","date_gmt":"2021-07-28T20:44:50","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4133"},"modified":"2024-10-09T17:45:51","modified_gmt":"2024-10-09T20:45:51","slug":"empregada-que-viajou-a-lazer-durante-quarentena-tem-justa-causa-confirmada-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4133","title":{"rendered":"EMPREGADA QUE VIAJOU A LAZER DURANTE QUARENTENA TEM JUSTA CAUSA CONFIRMADA"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trabalhadora estava em licen\u00e7a m\u00e9dica por suspeita de contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus e descumpriu orienta\u00e7\u00e3o de permanecer isolada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Justi\u00e7a do Trabalho decidiu validar a dispensa por justa causa de uma trabalhadora de supermercado de Brusque (SC) que, ap\u00f3s entrar em licen\u00e7a m\u00e9dica alegando sintomas de Covid-19, viajou para a cidade tur\u00edstica de Gramado (RS) no per\u00edodo em que deveria estar cumprindo quarentena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O afastamento foi solicitado pela pr\u00f3pria empregada, que apresentou atestado m\u00e9dico particular. Embora a orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica fosse para que ela repousasse e permanecesse em casa, a trabalhadora admitiu que viajou com o namorado para passar o final de semana na serra ga\u00facha. Ap\u00f3s se reapresentar na empresa, ela foi dispensada por justa causa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Argumentando que trabalhara por sete anos na empresa e que a puni\u00e7\u00e3o era um ato desproporcional e excessivo, a empregada contestou judicialmente a dispensa por justa causa e exigiu o pagamento de R$ 18 mil em verbas rescis\u00f3rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MULTA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os argumentos n\u00e3o convenceram o juiz titular da 2\u00aa Vara do Trabalho de Brusque, que confirmou a dispensa por justa causa e classificou como \u201cgrav\u00edssimo\u201d o comportamento da trabalhadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O juiz Roberto Masami Nakajo asseverou na senten\u00e7a que \u201co mundo vive um momento at\u00edpico no qual muitas medidas t\u00eam sido tomadas na tentativa de salvar vidas, manter empregos e a economia ativa\u201d e que nesse contexto \u201ca autora recebeu atestado m\u00e9dico justamente para que ficasse em isolamento por ter tido contato com pessoa supostamente contaminada pelo coronav\u00edrus\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ressaltou o magistrado que \u201ca empresa continuou a pagar seu sal\u00e1rio e, em contrapartida, esperava-se que a autora mantivesse isolamento, um ato de respeito em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e \u00e0 toda sociedade, e que atitudes como esta, contr\u00e1ria \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es das autoridades sanit\u00e1rias, podem levar \u00e0 uma eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de infec\u00e7\u00e3o e a novas restri\u00e7\u00f5es, o que poderia comprometer ainda mais a sa\u00fade financeira das empresas, incluindo da ex-empregadora da autora da a\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTenho por caracterizado ato de improbidade e de mau procedimento\u201d, concluiu o juiz Nakajo ao manter a justa causa.<\/p>\n<p>O juiz tamb\u00e9m condenou a empregada a pagar multa de 10% do valor da causa por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a ser revertida a entidade p\u00fablica ou filantr\u00f3pica para o combate \u00e0 pandemia. \u201cPostular a revers\u00e3o da justa causa diante de t\u00e3o grave conduta, representa, por si s\u00f3, ato desleal e procedimento temer\u00e1rio\u201d, frisou.<\/p>\n<p>RECURSO<\/p>\n<p>No julgamento do recurso, os desembargadores da 3\u00aa C\u00e2mara do Tribunal Regional do Trabalho da 12\u00aa Regi\u00e3o (TRT-SC) foram un\u00e2nimes em considerar a dispensa v\u00e1lida. A desembargadora-relatora Qu\u00e9zia Gonzalez destacou que a seguran\u00e7a dos ambientes de trabalho \u00e9 uma quest\u00e3o vital para o enfrentamento da crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cNuma pandemia n\u00e3o existem obriga\u00e7\u00f5es estranhas ao meio ambiente laboral, sendo ele parte importante da equa\u00e7\u00e3o para o enfrentamento da grave crise\u201d, disse a magistrada, apontando que a situa\u00e7\u00e3o de crise deve refor\u00e7ar o comprometimento de todos os atores sociais em prol da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Gonzalez tamb\u00e9m destacou o fato de que, ao contr\u00e1rio de uma licen\u00e7a m\u00e9dica comum, o afastamento da empregada n\u00e3o tinha car\u00e1ter individual. \u201cA medida decorreu n\u00e3o do adoecimento e da necessidade de tratamento m\u00e9dico ou hospitalar, mas por indicativos de que poderia ter sido contaminada por um v\u00edrus de alta transmissibilidade, como medida social\u201d, comparou.<\/p>\n<p>Ainda segundo a relatora, o fato de o exame indicar que a trabalhadora n\u00e3o estava contaminada pelo v\u00edrus na ocasi\u00e3o da viagem n\u00e3o ameniza o ocorrido. \u201cO que se avalia aqui \u00e9 o liame de confian\u00e7a e de honestidade entre os polos da rela\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Por maioria, o colegiado tamb\u00e9m decidiu manter a multa aplicada \u00e0 empregada.<\/p>\n<p>Fonte TRT12 \u2013 Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina<\/p>\n<p>#covid19 #direito #trabalho #justi\u00e7a #empregador #direitotrabalhista<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Trabalhadora estava em licen\u00e7a m\u00e9dica por suspeita de contamina\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus e descumpriu orienta\u00e7\u00e3o de permanecer isolada &nbsp; A Justi\u00e7a do Trabalho decidiu validar a dispensa por justa causa de uma trabalhadora de supermercado de Brusque (SC) que, ap\u00f3s entrar em licen\u00e7a m\u00e9dica alegando sintomas de Covid-19, viajou para a cidade tur\u00edstica de Gramado (RS) no per\u00edodo em que deveria estar cumprindo quarentena. &nbsp; O afastamento foi solicitado pela pr\u00f3pria empregada, que apresentou atestado m\u00e9dico particular. Embora a orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica fosse para que ela repousasse e permanecesse em casa, a trabalhadora admitiu que viajou com o namorado para passar o final de semana na serra ga\u00facha. Ap\u00f3s se reapresentar na empresa, ela foi dispensada por justa causa. &nbsp; Argumentando que trabalhara por sete anos na empresa e que a puni\u00e7\u00e3o era um ato desproporcional e excessivo, a empregada contestou judicialmente a dispensa por justa causa e exigiu o pagamento de R$ 18 mil em verbas rescis\u00f3rias. &nbsp; MULTA &nbsp; Os argumentos n\u00e3o convenceram o juiz titular da 2\u00aa Vara do Trabalho de Brusque, que confirmou a dispensa por justa causa e classificou como \u201cgrav\u00edssimo\u201d o comportamento da trabalhadora. &nbsp; O juiz Roberto Masami Nakajo asseverou na senten\u00e7a que \u201co mundo vive um momento at\u00edpico no qual muitas medidas t\u00eam sido tomadas na tentativa de salvar vidas, manter empregos e a economia ativa\u201d e que nesse contexto \u201ca autora recebeu atestado m\u00e9dico justamente para que ficasse em isolamento por ter tido contato com pessoa supostamente contaminada pelo coronav\u00edrus\u201d. &nbsp; Ressaltou o magistrado que \u201ca empresa continuou a pagar seu sal\u00e1rio e, em contrapartida, esperava-se que a autora mantivesse isolamento, um ato de respeito em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3ximo e \u00e0 toda sociedade, e que atitudes como esta, contr\u00e1ria \u00e0s orienta\u00e7\u00f5es das autoridades sanit\u00e1rias, podem levar \u00e0 uma eleva\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de infec\u00e7\u00e3o e a novas restri\u00e7\u00f5es, o que poderia comprometer ainda mais a sa\u00fade financeira das empresas, incluindo da ex-empregadora da autora da a\u00e7\u00e3o.\u201d &nbsp; \u201cTenho por caracterizado ato de improbidade e de mau procedimento\u201d, concluiu o juiz Nakajo ao manter a justa causa. O juiz tamb\u00e9m condenou a empregada a pagar multa de 10% do valor da causa por litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, a ser revertida a entidade p\u00fablica ou filantr\u00f3pica para o combate \u00e0 pandemia. \u201cPostular a revers\u00e3o da justa causa diante de t\u00e3o grave conduta, representa, por si s\u00f3, ato desleal e procedimento temer\u00e1rio\u201d, frisou. RECURSO No julgamento do recurso, os desembargadores da 3\u00aa C\u00e2mara do Tribunal Regional do Trabalho da 12\u00aa Regi\u00e3o (TRT-SC) foram un\u00e2nimes em considerar a dispensa v\u00e1lida. A desembargadora-relatora Qu\u00e9zia Gonzalez destacou que a seguran\u00e7a dos ambientes de trabalho \u00e9 uma quest\u00e3o vital para o enfrentamento da crise sanit\u00e1ria. \u201cNuma pandemia n\u00e3o existem obriga\u00e7\u00f5es estranhas ao meio ambiente laboral, sendo ele parte importante da equa\u00e7\u00e3o para o enfrentamento da grave crise\u201d, disse a magistrada, apontando que a situa\u00e7\u00e3o de crise deve refor\u00e7ar o comprometimento de todos os atores sociais em prol da sa\u00fade. Gonzalez tamb\u00e9m destacou o fato de que, ao contr\u00e1rio de uma licen\u00e7a m\u00e9dica comum, o afastamento da empregada n\u00e3o tinha car\u00e1ter individual. \u201cA medida decorreu n\u00e3o do adoecimento e da necessidade de tratamento m\u00e9dico ou hospitalar, mas por indicativos de que poderia ter sido contaminada por um v\u00edrus de alta transmissibilidade, como medida social\u201d, comparou. Ainda segundo a relatora, o fato de o exame indicar que a trabalhadora n\u00e3o estava contaminada pelo v\u00edrus na ocasi\u00e3o da viagem n\u00e3o ameniza o ocorrido. \u201cO que se avalia aqui \u00e9 o liame de confian\u00e7a e de honestidade entre os polos da rela\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d, concluiu. Por maioria, o colegiado tamb\u00e9m decidiu manter a multa aplicada \u00e0 empregada. Fonte TRT12 \u2013 Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina #covid19 #direito #trabalho #justi\u00e7a #empregador #direitotrabalhista &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4133","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4133","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4133"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4133\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4134,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4133\/revisions\/4134"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4133"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4133"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4133"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}