{"id":4135,"date":"2021-03-12T17:46:21","date_gmt":"2021-03-12T20:46:21","guid":{"rendered":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4135"},"modified":"2024-10-09T17:46:45","modified_gmt":"2024-10-09T20:46:45","slug":"homem-indenizara-mulher-por-assedio-em-aplicativo-de-mensagens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/marcelcolares.adv.br\/?p=4135","title":{"rendered":"Homem indenizar\u00e1 mulher por ass\u00e9dio em aplicativo de mensagens"},"content":{"rendered":"<p>A 7\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo manteve senten\u00e7a que condenou um homem a indenizar uma mulher por assedi\u00e1-la nas redes sociais. Ele dever\u00e1 pagar R$ 20 mil por danos morais.<br \/>\nConsta nos autos que a autora forneceu seu n\u00famero de telefone para o r\u00e9u por raz\u00f5es profissionais e por afinidade religiosa. O r\u00e9u, entretanto, utilizou-se do aplicativo de mensagens para propor encontro \u00edntimo entre os dois, importunando a mulher com este prop\u00f3sito durante 12 dias. Ap\u00f3s a autora recusar todas as suas investidas, o homem enviou foto de seu \u00f3rg\u00e3o genital masculino, dizendo, em seguida, que tinha enviado por engano.<br \/>\nO relator do recurso, desembargador R\u00f4molo Russo, afirmou que ficou comprovado que o r\u00e9u estava ciente do desinteresse da autora da a\u00e7\u00e3o, mas mesmo assim permaneceu insistindo para que tivessem um encontro \u00edntimo, aproveitando-se, inclusive, da situa\u00e7\u00e3o de desemprego da mulher.<br \/>\nO magistrado destacou que o apelante n\u00e3o provou que o envio da imagem tenha decorrido de erro. \u201c\u00c0 aludida contradi\u00e7\u00e3o acerca do suposto erro, soma-se a aus\u00eancia de prova documental ou testemunhal por parte do r\u00e9u, o qual poderia ter instru\u00eddo o feito com prova documental do recebimento de tal imagem em um grupo e seu encaminhamento para outro, ou prova testemunhal de que tal imagem destinava-se a outra pessoa de seu relacionamento \u00edntimo.\u201d<br \/>\nAl\u00e9m disso, a afirma\u00e7\u00e3o de que a imagem estava sendo enviada para a namorada \u201cn\u00e3o traduz pedido de desculpas ou arrependimento do r\u00e9u, apenas refor\u00e7ando a objetifica\u00e7\u00e3o da autora, na medida em que indica que as interpela\u00e7\u00f5es a ela apenas se destinavam \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de encontro sexual\u201d. \u201c\u00c9, portanto, evidente a ocorr\u00eancia de dano moral ante a desvaloriza\u00e7\u00e3o da autora em sua dignidade humana\u201d, completou.<br \/>\nParticiparam ainda desse julgamento a desembargadora Maria de Lourdes Lopez Gil e o desembargador Jos\u00e9 Rubens Queiroz Gomes. A vota\u00e7\u00e3o foi un\u00e2nime.<\/p>\n<p>Fonte:\u00a0TJSP<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A 7\u00aa C\u00e2mara de Direito Privado do Tribunal de Justi\u00e7a de S\u00e3o Paulo manteve senten\u00e7a que condenou um homem a indenizar uma mulher por assedi\u00e1-la nas redes sociais. Ele dever\u00e1 pagar R$ 20 mil por danos morais. Consta nos autos que a autora forneceu seu n\u00famero de telefone para o r\u00e9u por raz\u00f5es profissionais e por afinidade religiosa. O r\u00e9u, entretanto, utilizou-se do aplicativo de mensagens para propor encontro \u00edntimo entre os dois, importunando a mulher com este prop\u00f3sito durante 12 dias. Ap\u00f3s a autora recusar todas as suas investidas, o homem enviou foto de seu \u00f3rg\u00e3o genital masculino, dizendo, em seguida, que tinha enviado por engano. O relator do recurso, desembargador R\u00f4molo Russo, afirmou que ficou comprovado que o r\u00e9u estava ciente do desinteresse da autora da a\u00e7\u00e3o, mas mesmo assim permaneceu insistindo para que tivessem um encontro \u00edntimo, aproveitando-se, inclusive, da situa\u00e7\u00e3o de desemprego da mulher. O magistrado destacou que o apelante n\u00e3o provou que o envio da imagem tenha decorrido de erro. \u201c\u00c0 aludida contradi\u00e7\u00e3o acerca do suposto erro, soma-se a aus\u00eancia de prova documental ou testemunhal por parte do r\u00e9u, o qual poderia ter instru\u00eddo o feito com prova documental do recebimento de tal imagem em um grupo e seu encaminhamento para outro, ou prova testemunhal de que tal imagem destinava-se a outra pessoa de seu relacionamento \u00edntimo.\u201d Al\u00e9m disso, a afirma\u00e7\u00e3o de que a imagem estava sendo enviada para a namorada \u201cn\u00e3o traduz pedido de desculpas ou arrependimento do r\u00e9u, apenas refor\u00e7ando a objetifica\u00e7\u00e3o da autora, na medida em que indica que as interpela\u00e7\u00f5es a ela apenas se destinavam \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de encontro sexual\u201d. \u201c\u00c9, portanto, evidente a ocorr\u00eancia de dano moral ante a desvaloriza\u00e7\u00e3o da autora em sua dignidade humana\u201d, completou. Participaram ainda desse julgamento a desembargadora Maria de Lourdes Lopez Gil e o desembargador Jos\u00e9 Rubens Queiroz Gomes. A vota\u00e7\u00e3o foi un\u00e2nime. 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